Quem recebe mais de R$ 50 mil pode usar truque para não ser taxado no Imposto de Renda
O governo federal apresentou uma proposta que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês e prevê um desconto parcial para rendimentos entre R$ 5.000 e R$ 7.000.
Para compensar a renúncia fiscal, a medida estabelece uma taxação adicional sobre contribuintes de alta renda. O texto ainda será analisado pelo Congresso Nacional e, se aprovado, poderá entrar em vigor a partir de 2026.
Como funciona a nova isenção?
A proposta pode beneficiar cerca de 10 milhões de brasileiros ao ampliar a faixa de isenção total para quem ganha até R$ 5.000 por mês. Já aqueles com rendimentos entre R$ 5.000 e R$ 7.000 terão um desconto progressivo no imposto, que pode variar de R$ 202,13 a R$ 849,29, dependendo da faixa salarial.
Quem será taxado para compensar a mudança?
A nova taxação incidirá sobre um grupo de 141 mil contribuintes que recebem acima de R$ 50 mil por mês (ou R$ 600 mil por ano). Atualmente, esse segmento paga uma alíquota efetiva de até 10% no Imposto de Renda.
Trabalhadores com carteira assinada que ganham acima desse valor não serão afetados, pois já têm o imposto retido diretamente na folha de pagamento. O modelo também não muda para quem recebe honorários, aluguéis ou outras rendas tributadas na fonte.
Como será a nova cobrança para alta renda?
A proposta prevê uma alíquota máxima de 10% para quem obtiver mais de R$ 1,2 milhão ao ano. A cobrança seguirá um modelo progressivo, começando em 2,5% para rendimentos entre R$ 600 mil e R$ 700 mil e subindo gradualmente até atingir o teto.
Além disso, contribuintes de alta renda precisarão comprovar que pagaram pelo menos 10% de imposto no ano. Se um contribuinte tiver pago 8%, por exemplo, precisará acertar os 2% restantes.
Caso o total pago já seja superior a 10%, não haverá cobrança adicional. O governo, no entanto, não detalhou se haverá restituição para quem pagar mais do que o exigido.
A tabela do Imposto de Renda vai mudar?
A proposta não altera a tabela atual para rendimentos acima de R$ 7.000. As alíquotas progressivas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5% continuam as mesmas, sem qualquer aumento.
Próximos passos
O projeto ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional, onde pode sofrer ajustes antes da votação final. Se aprovado, seguirá para sanção presidencial. A expectativa do governo é que a proposta seja aprovada até dezembro, permitindo sua implementação a partir de 2026.